Dra. Deborah Beranger

Calcular déficit calórico: como fazer?

Calcular déficit calórico: como fazer?

O déficit calórico é essencial para quem deseja perder peso de forma saudável e eficaz. Calcular déficit calórico corretamente garante que o corpo utilize suas reservas de energia, principalmente a gordura corporal, para suprir a diferença entre as calorias consumidas e as calorias gastas diariamente.

Por que o déficit calórico é essencial para a perda de peso?

A perda de peso está diretamente relacionada ao equilíbrio entre o consumo e o gasto energético. Quando ingerimos mais calorias do que gastamos, o excesso é armazenado no corpo, principalmente como gordura. Por outro lado, ao consumir menos calorias do que o necessário para as funções corporais e atividades diárias, o organismo recorre às reservas de gordura para obter energia, resultando na perda de peso.

Estudos científicos corroboram a importância do déficit calórico no processo de emagrecimento. Por exemplo, uma pesquisa publicada no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism demonstrou que a combinação de exercícios cardiovasculares com treinamento de resistência é mais eficaz na eliminação da gordura abdominal do que apenas o treinamento cardiovascular isolado. Essa abordagem otimiza o gasto energético e facilita a criação de um déficit calórico adequado. 

Além disso, a prática de exercícios físicos não só aumenta o gasto energético, mas também reduz os níveis de estresse e insulina, diminuindo a presença de cortisol — um hormônio associado ao acúmulo de gordura abdominal. Portanto, a atividade física regular é essencial para potencializar os efeitos do déficit calórico na perda de peso.

Como calcular o déficit calórico?

Para calcular o déficit calórico adequado, é necessário primeiro determinar a Taxa Metabólica Basal (TMB), que representa a quantidade de calorias que o corpo necessita em repouso para manter funções vitais, como respiração e circulação sanguínea. Existem várias fórmulas para estimar a TMB, sendo as mais utilizadas:

Fórmulas para determinar a TMB

  • Equação de Harris-Benedict (revisada em 1984):

    • Homens: TMB = 88,362 + (13,397 x peso em kg) + (4,799 x altura em cm) – (5,677 x idade em anos)

    • Mulheres: TMB = 447,593 + (9,247 x peso em kg) + (3,098 x altura em cm) – (4,330 x idade em anos)
  • Equação de Mifflin-St Jeor (1990):

    • Homens: TMB = (10 x peso em kg) + (6,25 x altura em cm) – (5 x idade em anos) + 5

    • Mulheres: TMB = (10 x peso em kg) + (6,25 x altura em cm) – (5 x idade em anos) – 161

Após calcular a TMB, é necessário multiplicá-la por um fator de atividade física para obter o Gasto Energético Total (GET), que representa o total de calorias gastas diariamente:

  • Sedentário (pouco ou nenhum exercício): TMB x 1,2
  • Levemente ativo (exercício leve 1-3 dias/semana): TMB x 1,375
  • Moderadamente ativo (exercício moderado 3-5 dias/semana): TMB x 1,55
  • Altamente ativo (exercício intenso 6-7 dias/semana): TMB x 1,725
  • Extremamente ativo (exercício físico intenso diário ou trabalho físico pesado): TMB x 1,9

Por exemplo, uma mulher de 30 anos, com 70 kg e 165 cm de altura, que pratica exercícios moderados, teria sua TMB calculada pela equação de Mifflin-St Jeor:

TMB = (10 x 70) + (6,25 x 165) – (5 x 30) – 161 = 1.446,25 kcal/dia

Multiplicando pelo fator de atividade (1,55), o GET seria:

GET = 1.446,25 x 1,55 = 2.241,69 kcal/dia

Para perder peso, essa pessoa deveria consumir menos calorias do que seu GET, estabelecendo assim um déficit calórico.

Fatores que influenciam o gasto energético

O gasto energético total (GET) de um indivíduo é influenciado por diversos fatores que determinam a quantidade de energia que o corpo utiliza diariamente. Compreender esses fatores é essencial para ajustar o consumo calórico de acordo com os objetivos de saúde e bem-estar.

Componentes do gasto energético total

O GET é composto por três principais componentes:

  1. Taxa Metabólica Basal (TMB): energia necessária para manter as funções vitais em repouso, como respiração, circulação sanguínea e manutenção da temperatura corporal. Representa aproximadamente 60% a 75% do gasto energético diário.

  2. Efeito Térmico dos Alimentos (ETA): energia gasta na digestão, absorção e metabolização dos nutrientes provenientes dos alimentos. Corresponde a cerca de 10% do gasto energético total.

  3. Atividade física: energia utilizada em todas as formas de movimento, desde atividades cotidianas até exercícios estruturados. Este componente é o mais variável, podendo representar de 15% a 30% do gasto energético diário, dependendo do nível de atividade do indivíduo.

Fatores que influenciam a Taxa Metabólica Basal (TMB)

A TMB é afetada por diversos fatores intrínsecos e extrínsecos:

  • Composição corporal: indivíduos com maior massa muscular possuem uma TMB mais elevada, pois o músculo requer mais energia para manutenção do que o tecido adiposo.

  • Idade: com o envelhecimento, há uma tendência de redução da massa muscular e aumento da massa adiposa, o que diminui a TMB.

  • Sexo: homens geralmente apresentam TMB mais alta do que mulheres devido a uma maior proporção de massa muscular.

  • Genética: fatores hereditários podem influenciar o metabolismo basal, fazendo com que algumas pessoas tenham TMB naturalmente mais alta ou mais baixa.

  • Estado hormonal: hormônios como tiroxina (produzida pela glândula tireoide) e catecolaminas (como adrenalina) podem aumentar a TMB. Desequilíbrios hormonais, como hipotireoidismo, podem reduzir o metabolismo basal.

  • Temperatura corporal e ambiental: febre ou exposição a temperaturas extremas podem elevar a TMB, pois o corpo gasta mais energia para manter a homeostase térmica.

Fatores que Influenciam o Efeito Térmico dos Alimentos (ETA)

O ETA varia conforme:

  • Composição da dieta: proteínas aumentam mais o ETA em comparação com carboidratos e gorduras, devido ao maior custo energético para sua metabolização.

  • Quantidade e frequência das refeições: refeições maiores ou mais frequentes podem elevar o ETA, embora o impacto total no gasto energético seja relativamente pequeno.

Fatores que Influenciam o gasto energético com atividade física

O gasto energético associado à atividade física é altamente variável e depende de:

  • Intensidade e duração: atividades mais intensas e prolongadas aumentam significativamente o gasto calórico.

  • Tipo de Atividade: exercícios aeróbicos (como corrida) e anaeróbicos (como musculação) têm impactos diferentes no gasto energético e na composição corporal.

  • Nível de condicionamento físico: indivíduos mais treinados podem realizar atividades com maior eficiência energética, podendo gastar menos energia para a mesma atividade em comparação com indivíduos menos condicionados.

  • Peso corporal: pessoas com maior peso corporal tendem a gastar mais energia em atividades físicas, devido ao maior esforço necessário para movimentar o corpo.

Considerações adicionais

É importante notar que fatores como estresse, qualidade do sono e condições de saúde também podem influenciar o gasto energético total. Por exemplo, o estresse crônico pode alterar a secreção hormonal, afetando o metabolismo, enquanto a privação de sono está associada a alterações no apetite e no gasto energético.

Compreender os fatores que influenciam o gasto energético é fundamental para o planejamento de estratégias eficazes de controle de peso e promoção da saúde. Recomenda-se buscar orientação de profissionais de saúde para avaliações e orientações personalizadas.

Déficit calórico ideal para cada objetivo

Um déficit calórico moderado e sustentável é essencial para uma perda de peso saudável. Recomenda-se uma redução de 500 a 1.000 kcal por dia, o que pode resultar em uma perda de peso de aproximadamente 0,5 a 1 kg por semana. Perdas de peso mais rápidas podem levar à perda de massa muscular e outros problemas de saúde.

Erros comuns ao calcular o déficit calórico

  • Cálculo incorreto: não considerar fatores individuais, como composição corporal e nível de atividade física, pode levar a estimativas imprecisas.

  • Subestimação das calorias ingeridas: não registrar ou medir adequadamente os alimentos consumidos pode resultar em consumo calórico maior do que o planejado.

  • Efeito sanfona: dietas muito restritivas podem ser insustentáveis, levando a ciclos de perda e ganho de peso.

Para evitar esses erros, é essencial contar com a orientação de um profissional de saúde, que pode elaborar um plano personalizado e adequado às suas necessidades.

Por fim, se você deseja um acompanhamento especializado para alcançar seus objetivos de forma saudável e segura, agende uma consulta agora mesmo pelo site!