Dra. Deborah Beranger

Hipotireoidismo subclínico: sintomas, diagnóstico e tratamento

Hipotireoidismo subclínico: saiba tudo sobre essa condição

O hipotireoidismo subclínico é uma condição de saúde que afeta a função da glândula tireoide, sendo uma fase inicial ou leve do hipotireoidismo. Embora muitas vezes assintomático, pode causar complicações significativas se não tratado adequadamente.

O que é o hipotireoidismo subclínico?

O hipotireoidismo subclínico ocorre quando há um aumento dos níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide) no sangue, enquanto os níveis dos hormônios tireoidianos T3 e T4 permanecem dentro dos limites normais. Esta condição indica que a tireoide está começando a falhar em sua função, mas ainda consegue manter os níveis hormonais adequados para o corpo.

Causas do hipotireoidismo subclínico

O hipotireoidismo subclínico pode ter causa por uma variedade de fatores que afetam a função da glândula tireoide. A seguir, vamos explorar essas causas com mais detalhes:

Doenças autoimunes

Tireoidite de Hashimoto

A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo subclínico. Esta é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, causando inflamação e destruição gradual do tecido tireoidiano. Com o tempo, a capacidade da tireoide de produzir hormônios diminui, levando ao aumento dos níveis de TSH na tentativa de estimular a glândula a produzir mais hormônios.

Outras doenças autoimunes

Outras condições autoimunes, como a doença de Graves e o lúpus eritematoso sistêmico, também podem afetar a função tireoidiana e levar ao hipotireoidismo subclínico. Embora menos comuns que a tireoidite de Hashimoto, essas doenças podem causar disfunção tireoidiana ao alterar a resposta imunológica do corpo.

Deficiência de iodo

O iodo é um mineral essencial para a produção dos hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). A deficiência de iodo pode levar ao hipotireoidismo subclínico porque a tireoide não consegue produzir hormônios suficientes para atender às necessidades do corpo.

Fontes alimentares de iodo

Uma dieta pobre em iodo é a principal causa da deficiência de iodo. Fontes alimentares ricas em iodo incluem, por exemplo, frutos do mar, algas marinhas, laticínios, ovos e sal iodado. Em algumas regiões, especialmente aquelas longe do mar, a deficiência de iodo é mais comum devido à menor disponibilidade de alimentos ricos desse micronutriente.

Cirurgias ou tratamentos

Cirurgia da tireoide

A remoção parcial ou total da tireoide, conhecida como tireoidectomia, pode resultar em hipotireoidismo subclínico. Essa cirurgia pode ser realizada para tratar nódulos tireoidianos, câncer de tireoide ou outras doenças tireoidianas. A remoção de parte da glândula pode deixar a tireoide incapaz de produzir hormônios suficientes, levando ao aumento dos níveis de TSH.

Tratamento com iodo radioativo

O iodo radioativo é frequentemente usado para tratar doenças como, por exemplo, a doença de Graves e o bócio multinodular tóxico. Esse tratamento destrói parte do tecido tireoidiano, reduzindo a produção de hormônios tireoidianos e podendo causar hipotireoidismo subclínico.

Medicações

Vários medicamentos podem interferir na função tireoidiana e causar hipotireoidismo subclínico:

Amiodarona: é um medicamento usado para tratar arritmias cardíacas. Ela contém uma alta concentração de iodo, que pode interferir na função tireoidiana e levar ao hipotireoidismo.

Lítio: é usado para tratar transtornos bipolares e pode afetar a função tireoidiana, inibindo a liberação dos hormônios tireoidianos e aumentando os níveis de TSH.

Interferon-alfa: utilizado no tratamento de certas infecções virais e cânceres, o interferon-alfa pode causar disfunção tireoidiana autoimune, levando ao hipotireoidismo subclínico.

Outras causas

Envelhecimento

O envelhecimento pode afetar a função tireoidiana. À medida que envelhecemos, a glândula tireoide pode diminuir sua capacidade de produzir hormônios tireoidianos adequadamente, resultando em níveis elevados de TSH.

História familiar

Um histórico familiar de doenças tireoidianas pode aumentar o risco de desenvolver hipotireoidismo subclínico. A genética desempenha um papel significativo na predisposição para disfunções tireoidianas.

Exposição a radiação

A exposição à radiação, especialmente na região do pescoço, pode danificar a glândula tireoide e afetar sua função. Isso pode ocorrer devido a tratamentos de radiação para câncer ou exposição a radiação em acidentes nucleares.

Sintomas do hipotireoidismo subclínico

Embora muitas pessoas com hipotireoidismo subclínico não apresentem sintomas óbvios, algumas podem experimentar sintomas leves ou inespecíficos, tais como:

  • Sensação constante de cansaço.
  • Aumento de peso inexplicável ou dificuldade para perder peso.
  • Intolerância ao frio, mesmo em ambientes moderadamente frios.
  • Mudanças na textura da pele, bem como do cabelo.
  • Sentimentos de depressão ou ansiedade.
  • Dificuldade em se concentrar e problemas de memória.

Sintomas menos comuns

  • Dificuldade persistente para evacuar.
  • Desconforto muscular ou articular sem causa aparente.
  • Alterações no ciclo menstrual, incluindo menstruações mais intensas ou irregulares.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do hipotireoidismo subclínico é feito através de exames de sangue que medem os níveis de TSH e hormônios tireoidianos. 

Exame físico: o médico pode realizar um exame físico completo e revisar o histórico médico do paciente para identificar sintomas e fatores de risco.

Exames laboratoriais: 

  • TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide): um nível elevado de TSH é o principal indicativo de hipotireoidismo subclínico.
  • T4 Livre (tiroxina livre): níveis normais de T4 livre ajudam a confirmar o diagnóstico.
  • T3 (triiodotironina): em alguns casos, os níveis de T3 também têm sua medição.

Testes adicionais: em alguns casos, o médico pode solicitar exames adicionais para avaliar a função da tireoide de forma mais abrangente, como a dosagem de anticorpos antitireoidianos.

Como é o tratamento?

O tratamento do hipotireoidismo subclínico é uma decisão complexa que deve ser personalizada de acordo com as necessidades individuais do paciente. A abordagem terapêutica depende de vários fatores, incluindo a gravidade da elevação do TSH, a presença de sintomas, a idade do paciente, comorbidades, bem como o risco de progressão para o hipotireoidismo clínico.

Monitoramento regular

Para muitos pacientes com hipotireoidismo subclínico, especialmente aqueles sem sintomas significativos ou com elevação leve do TSH, o monitoramento regular pode ser a melhor abordagem. Isso envolve a realização de exames de sangue periódicos, geralmente a cada 6 a 12 meses, para acompanhar os níveis de TSH e hormônios tireoidianos. Durante esse período, o médico observa qualquer mudança nos sintomas ou nos níveis hormonais que possa indicar a necessidade de intervenção terapêutica.

Terapia de reposição hormonal

Quando o TSH está significativamente elevado ou o paciente apresenta sintomas de hipotireoidismo, a terapia de reposição hormonal com levotiroxina pode ser indicada. A levotiroxina é um hormônio sintético que substitui o T4 (tiroxina) produzido pela glândula tireoide. Este tratamento visa normalizar os níveis de TSH e aliviar os sintomas. A dosagem de levotiroxina é ajustada com base nos resultados dos exames de sangue e na resposta clínica do paciente. É importante que o paciente tome a medicação conforme prescrito e faça acompanhamento médico regular para ajustar a dosagem conforme necessário.

Mudanças no estilo de vida

Adotar um estilo de vida saudável pode complementar o tratamento do hipotireoidismo subclínico e melhorar a função tireoidiana. Algumas mudanças recomendadas incluem:

  • Dieta balanceada: consumir alimentos ricos em nutrientes essenciais, como, por exemplo, iodo e selênio, pode apoiar a saúde da tireoide. Alimentos como frutos do mar, algas marinhas, laticínios, ovos, bem como nozes são boas fontes desses nutrientes.

     

  • Exercício físico regular: manter uma rotina de exercícios moderados pode ajudar a aumentar o metabolismo e melhorar o bem-estar geral.

     

  • Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, como, por exemplo, yoga e meditação, podem reduzir o estresse, que pode afetar negativamente a função tireoidiana.

Acompanhamento médico

Independentemente da abordagem de tratamento escolhida, o acompanhamento médico regular é crucial para monitorar a condição do paciente e ajustar o tratamento conforme necessário. Exames de sangue periódicos ajudam a garantir que os níveis de TSH e hormônios tireoidianos estejam dentro dos limites desejados, e o médico pode avaliar qualquer mudança nos sintomas.

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Considerações para populações específicas

Idosos: em idosos, o tratamento do hipotireoidismo subclínico pode ser com mais cautela, pois eles podem ser mais sensíveis à terapia hormonal. A decisão de tratar deve considerar o risco de doenças cardiovasculares, assim como a presença de sintomas.

Mulheres grávidas ou que planejam engravidar: o hipotireoidismo subclínico em mulheres grávidas ou que planejam engravidar deve ser tratado com mais atenção, pois a função tireoidiana adequada é crucial para o desenvolvimento fetal. A terapia de reposição hormonal pode ser iniciada para manter os níveis de TSH dentro de um intervalo específico recomendado para a gravidez.

Pacientes com doenças cardíacas: em pacientes com doenças cardíacas, o tratamento deve ser iniciado com doses baixas de levotiroxina e ajustado gradualmente para evitar exacerbação de condições cardíacas preexistentes.

Complicações do hipotireoidismo subclínico

O hipotireoidismo subclínico, embora muitas vezes considerado uma condição leve, pode levar a complicações significativas se não for adequadamente monitorado e tratado. Confira as principais complicações associadas a essa condição:

Doenças cardiovasculares

Uma das complicações mais preocupantes do hipotireoidismo subclínico é o aumento do risco de doenças cardiovasculares. O aumento dos níveis de TSH pode afetar negativamente o sistema cardiovascular de várias maneiras:

Hipertensão: pacientes com hipotireoidismo subclínico podem apresentar pressão arterial elevada. O TSH elevado pode causar vasoconstrição e aumentar a resistência vascular periférica, levando à hipertensão.

Dislipidemia: níveis elevados de TSH podem resultar em alterações no perfil lipídico, incluindo aumento dos níveis de colesterol total e LDL (lipoproteína de baixa densidade). Isso pode contribuir para a formação de placas ateroscleróticas nas artérias, aumentando o risco de aterosclerose e doenças cardíacas.

Doença arterial coronária: a combinação de hipertensão e dislipidemia aumenta o risco de doença arterial coronária, que pode levar a angina, infarto do miocárdio, bem como insuficiência cardíaca.

Problemas metabólicos

O hipotireoidismo subclínico pode afetar o metabolismo de várias maneiras:

  • Ganho de peso: a função tireoidiana reduzida pode desacelerar o metabolismo, resultando em ganho de peso. Isso pode ser um desafio para os pacientes, especialmente aqueles que já estão lutando para manter um peso saudável.

     

  • Resistência à insulina: alguns estudos sugerem que o hipotireoidismo subclínico pode estar associado à resistência à insulina, o que aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

     

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Saúde mental e cognitiva

Os hormônios tireoidianos desempenham um papel crucial na função cerebral, e o hipotireoidismo subclínico pode impactar negativamente a saúde mental e cognitiva:

  • Depressão: o aumento do TSH está associado a um risco maior de depressão. A função tireoidiana reduzida pode afetar o humor, assim como contribuir para sintomas depressivos.

     

  • Ansiedade: além da depressão, o hipotireoidismo subclínico pode aumentar os níveis de ansiedade e provocar sentimentos de inquietação.

     

  • Declínio cognitivo: problemas, por exemplo, de concentração, memória e função cognitiva podem ocorrer em pacientes com hipotireoidismo subclínico. Estudos sugerem que a função tireoidiana reduzida pode afetar negativamente a performance cognitiva, especialmente em idosos.

Problemas reprodutivos

O hipotireoidismo subclínico pode impactar a saúde reprodutiva, particularmente em mulheres:

  • Infertilidade: a disfunção tireoidiana pode interferir na ovulação e causar irregularidades menstruais, dificultando a concepção.

     

  • Complicações na gravidez: mulheres grávidas com hipotireoidismo subclínico não tratado têm um risco maior de complicações, incluindo aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, parto prematuro, bem como baixo peso ao nascer.

Problemas musculoesqueléticos

A função tireoidiana reduzida pode afetar a saúde musculoesquelética:

  • Dor muscular e articular: pacientes podem experimentar dor muscular e articular, bem como fraqueza muscular.

     

  • Osteoporose: embora mais comum no hipotireoidismo clínico, a disfunção tireoidiana prolongada pode contribuir para a perda óssea e aumento do risco de osteoporose.

     

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Outros problemas de saúde

Além das complicações já mencionadas, o hipotireoidismo subclínico pode contribuir para outras condições de saúde, como por exemplo:

  • Anemia: a função tireoidiana reduzida pode afetar a produção de hemoglobina, levando a anemia.

     

  • Problemas gastrointestinais: constipação e outros problemas digestivos são comuns em pacientes com hipotireoidismo subclínico.

     

  • Sistema imunológico: a disfunção tireoidiana pode influenciar o sistema imunológico, potencialmente aumentando a susceptibilidade a infecções.

O hipotireoidismo subclínico é uma condição que requer atenção e acompanhamento médico para prevenir complicações e garantir uma boa qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para controlar os sintomas e evitar a progressão para o hipotireoidismo clínico. Por fim, se você suspeita que pode estar com hipotireoidismo subclínico, consulte um médico. Caso você seja do Rio de Janeiro e necessite de uma endocrinologista na Tijuca e Barra da Tijuca, faça o agendamento pelo meu site.