Queda de cabelo pode ser hormonal? Descubra quando procurar um endocrinologista
Mini FAQ – Tire suas dúvidas sobre queda de cabelo hormonal
Queda de cabelo pode ser causada por alteração hormonal?
Sim. Hipotireoidismo, hipertireoidismo, SOP, menopausa, deficiência de testosterona e alterações na prolactina estão entre as causas hormonais mais comuns de queda de cabelo em mulheres e homens.
Quais exames investigam a queda de cabelo hormonal?
TSH, T4 livre, testosterona total e livre, SDHEA, prolactina, ferritina e hemograma são os principais. O painel é definido pelo médico com base nos sintomas e no histórico clínico de cada paciente.
A queda de cabelo hormonal tem tratamento?
Sim. Quando a causa é identificada e tratada corretamente, a queda tende a ceder. O tempo de resposta varia conforme a condição tratada, mas o diagnóstico precoce melhora significativamente o prognóstico.
Hipotireoidismo sempre causa queda de cabelo?
Não necessariamente, mas é um dos sintomas mais frequentes da disfunção tireoidiana, especialmente quando o hipotireoidismo está sem tratamento ou mal controlado.
Dermatologista ou endocrinologista para queda de cabelo?
Os dois podem ser parte do cuidado. O dermatologista avalia o couro cabeludo e o folículo. O endocrinologista investiga as causas hormonais e metabólicas. Em muitos casos, o acompanhamento conjunto é o mais adequado.
Perder alguns fios por dia é normal. O problema começa quando a queda aumenta de volume, o cabelo fica mais ralo, a linha do cabelo recua ou aparecem falhas que antes não existiam.
E quando isso acontece sem uma causa óbvia, sem mudança brusca de alimentação, sem situação de estresse extremo recente, vale considerar uma hipótese que muita gente deixa de lado: a queda de cabelo hormonal.
A seguir, você vai entender quais alterações hormonais causam queda de cabelo, como diferenciá-las de outras causas e quando faz sentido procurar um endocrinologista. Vamos lá?
Por que os hormônios afetam o crescimento do cabelo?

O ciclo capilar tem três fases: anágena (crescimento ativo), catágena (transição) e telógena (repouso e queda). Em condições normais, cerca de 85 a 90% dos fios estão na fase de crescimento e apenas 10 a 15% estão em fase de repouso ou queda.¹
Hormônios como os tireoidianos, andrógenos, estrogênio e insulina participam ativamente da regulação dessas fases. Quando seus níveis se alteram, o equilíbrio do ciclo capilar se rompe: mais fios entram na fase telógena antes do tempo, a duração da fase de crescimento diminui e o resultado é uma queda mais intensa do que o habitual.
Esse processo tem nome, eflúvio telógeno, e é um dos mecanismos mais comuns por trás da queda de cabelo de origem hormonal ou metabólica.²
Quais são as principais causas hormonais da queda de cabelo?

Agora que você entende o mecanismo, vale conhecer as condições que mais frequentemente estão por trás desse quadro. Vamos a elas?
Hipotireoidismo e hipertireoidismo
A tireoide é provavelmente a causa hormonal de queda de cabelo mais investigada. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem afetar o ciclo capilar, mas por mecanismos diferentes.
No hipotireoidismo, a redução dos hormônios tireoidianos desacelera o metabolismo celular do folículo, encurtando a fase de crescimento. A queda costuma ser difusa, distribuída por todo o couro cabeludo, e vem acompanhada de outros sinais como cansaço, sensação de frio, intestino preso e ganho de peso.³
No hipertireoidismo, o excesso de hormônios acelera o ciclo capilar de forma desequilibrada, também resultando em queda. Aqui os sintomas associados são diferentes: agitação, palpitações, sudorese e perda de peso.³ Ou seja: é o contrário.
O diagnóstico de ambas as condições é feito com TSH e T4 livre, e o tratamento da disfunção tireoidiana costuma melhorar a queda de cabelo ao longo do tempo.
Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
Na SOP, atualmente referida por muitos especialistas como SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina), o excesso de andrógenos como a testosterona e o SDHEA pode desencadear a alopecia androgenética em mulheres com predisposição genética.
Esse tipo de queda se manifesta de forma diferente da masculina: em vez de entradas e calvície no topo, a mulher percebe afinamento difuso na região central do couro cabeludo, com manutenção da linha frontal.⁴ Pode vir acompanhado de acne, irregularidade menstrual e dificuldade para emagrecer.
Menopausa e perimenopausa
A queda do estrogênio que marca a transição menopausal altera o equilíbrio entre estrogênio e andrógenos. Com menos estrogênio para contrabalancear, os andrógenos exercem efeito mais pronunciado sobre os folículos, acelerando a miniaturização dos fios em mulheres com predisposição.⁵
Além disso, a queda de estrogênio por si só reduz o tempo da fase anágena, resultando em fios mais finos e queda mais difusa. Muitas mulheres relatam perceber o cabelo mais ralo justamente nesse período, mesmo sem outros sintomas evidentes.
Resistência à insulina e síndrome metabólica
A hiperinsulinemia, nome dado ao excesso de insulina circulante decorrente da resistência à insulina, estimula a produção de andrógenos pelos ovários e pelas glândulas adrenais. Esse excesso androgênico, por sua vez, pode comprometer o ciclo capilar da mesma forma que ocorre na SOP.⁶
Essa conexão entre metabolismo e cabelo costuma ser subestimada. Mulheres com resistência à insulina podem ter queda de cabelo como um dos sinais do desequilíbrio metabólico, mesmo sem diagnóstico formal de SOP.
Hiperprolactinemia
A prolactina elevada, produzida pela hipófise, pode inibir a produção de hormônios sexuais e, como consequência, afetar o ciclo capilar. A queda de cabelo associada à hiperprolactinemia costuma aparecer junto com irregularidade menstrual e, em alguns casos, saída de leite pelas mamas fora do período de amamentação.⁷
Pós-parto
O período pós-parto merece menção separada. Durante a gestação, o estrogênio elevado mantém mais fios na fase anágena do que o habitual. Com a queda brusca hormonal após o parto, uma quantidade maior de fios entra na fase telógena ao mesmo tempo, resultando em queda intensa entre dois e seis meses após o nascimento.⁸
Esse processo é fisiológico e tende a se resolver espontaneamente, mas pode ser intensificado por deficiências nutricionais como ferro e vitamina D, comuns nesse período.
Como diferenciar queda de cabelo hormonal de outras causas?
Nem toda queda de cabelo tem origem hormonal. Outras causas frequentes incluem deficiência de ferro e ferritina, deficiência de vitamina D e B12, alopecia areata (de origem autoimune), estresse físico ou emocional intenso, uso de certos medicamentos e causas genéticas.
Alguns padrões ajudam a orientar a investigação:
- queda difusa por todo o couro cabeludo aponta mais para causas sistêmicas, hormonais ou nutricionais;
- queda em falhas circulares sugere alopecia areata;
- afinamento progressivo na região central em mulheres remete à alopecia androgenética;
- queda intensa e aguda, muitas vezes com fios visíveis no travesseiro e no ralo, sugere eflúvio telógeno por gatilho recente (estresse, doença, pós-parto, cirurgia).
O padrão da queda, os sintomas associados e o histórico clínico são o ponto de partida para orientar os exames necessários.
Quais exames investigam a queda de cabelo hormonal?

A investigação laboratorial começa com um painel básico e pode ser ampliada conforme os achados clínicos. Os exames mais utilizados incluem:
- TSH e T4 livre, para avaliação da tireoide;
- testosterona total e livre, SDHEA e androstenediona, para investigar excesso androgênico;
- prolactina, quando há suspeita de hiperprolactinemia;
- ferritina e hemograma completo, para descartar anemia e deficiência de ferro. uma das causas mais comuns e mais subestimadas de queda capilar;
- 25-OH vitamina D e vitamina B12;
- insulina em jejum e HOMA-IR, quando há suspeita de resistência à insulina;
- FSH e estradiol, em mulheres na perimenopausa ou com suspeita de insuficiência ovariana.
A interpretação correta exige que o médico analise o conjunto, não cada exame de forma isolada. Um resultado dentro da faixa de referência não descarta o diagnóstico se os sintomas forem consistentes e o contexto clínico apontar para determinada condição.
Quais tratamentos estão disponíveis para queda de cabelo hormonal?
O tratamento depende diretamente da causa identificada. Não existe protocolo único e tentativas de tratar a queda sem investigar a origem tendem a produzir resultados parciais ou temporários.
Quando a causa é o hipotireoidismo, a reposição de levotiroxina, ajustada à necessidade individual, costuma melhorar a queda ao longo dos meses seguintes. O mesmo vale para o hipertireoidismo: controlar a função tireoidiana é o que restaura o ciclo capilar.
Na SOP com excesso androgênico, o tratamento pode incluir medicamentos antiandrogênicos, moduladores da insulina quando há resistência associada e, em alguns casos, anticoncepcionais com perfil antiandrogênico. A decisão é individualizada.
Na menopausa, a terapia de reposição hormonal pode contribuir para reduzir a queda capilar associada à deficiência estrogênica, além de tratar outros sintomas da transição. Não é indicada para todas as mulheres, mas é uma opção a ser avaliada na consulta.
Deficiências nutricionais como ferro baixo e vitamina D deficiente são corrigidas com suplementação orientada. A resposta costuma aparecer entre três e seis meses após o início do tratamento, porque o ciclo capilar tem seu próprio tempo de resposta.
Em todos os casos, o acompanhamento médico ao longo do tratamento é parte indispensável do processo. A queda de cabelo responde lentamente, e ajustes ao longo do caminho são frequentes.
Quando procurar um endocrinologista para investigar a queda de cabelo?
Se a queda de cabelo é persistente, progressiva ou vem acompanhada de outros sintomas como cansaço, ganho de peso, irregularidade menstrual, acne, ondas de calor ou alterações de humor, a avaliação endocrinológica é o caminho indicado.
O endocrinologista investiga as causas hormonais e metabólicas, solicita os exames adequados ao quadro clínico e orienta o tratamento de forma individualizada. Em muitos casos, o trabalho é feito em conjunto com o dermatologista, que avalia o couro cabeludo e o padrão da queda de uma perspectiva complementar.
A queda de cabelo hormonal tem investigação possível e tratamento eficaz. O que faz diferença é identificar a causa e isso começa com a consulta certa!
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Referências
¹ Buffoli B, et al. The human hair: from anatomy to physiology. International Journal of Dermatology. 2014;53(3):331-341.
² Grover C, Khurana A. Telogen effluvium. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology. 2013;79(5):591-603.
³ Safer JD. Thyroid hormone action on skin. Dermato-Endocrinology. 2011;3(3):211-215.
⁴ Carmina E, et al. Female pattern hair loss and androgen excess: a report from the Multidisciplinary Androgen Excess and PCOS Committee. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2019;104(7):2875-2891.
⁵ Gupta, et al. Menopause and hair loss in women: Exploring the hormonal transition. Maturitas. 2025.
⁶ Escobar-Morreale HF. Polycystic ovary syndrome: definition, aetiology, diagnosis and treatment. Nature Reviews Endocrinology. 2018;14(5):270-284.
⁷ Glezer A, Garmes HM, Kasuki L, Martins M, Elias PCL, Nogueira VSN, Rosa-e-Silva ACJS, Maciel GAR, Benetti-Pinto CL, Nácul AP. Diagnosis of hyperprolactinemia in women: A Position Statement from the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations (Febrasgo) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab. 2024;68:e230502.
⁸ Mubki T, et al. Evaluation and diagnosis of the hair loss patient: part I. History and clinical examination. Journal of the American Academy of Dermatology. 2014;71(3):415.e1-415.e15.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico clínico nem a prescrição de tratamentos por um profissional de saúde habilitado. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, procure um médico.