Dra. Deborah Beranger

Sintomas de testosterona baixa: saiba quais são os principais

Sintomas de testosterona baixa: saiba quais são os principais

A testosterona é um hormônio essencial para diversas funções do organismo, incluindo a manutenção da massa muscular, saúde óssea, libido e bem-estar geral. No entanto, quando seus níveis estão baixos, podem surgir diversos sintomas de testosterona baixa, que afetam a qualidade de vida.

Aqui, você vai entender o que é a testosterona, quais são os sintomas de testosterona baixa, suas causas e as melhores formas de tratamento.

O que é a testosterona e qual sua função no organismo?

A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, embora também esteja presente em menores quantidades no organismo feminino. Produzida pelos testículos nos homens e pelos ovários nas mulheres, essa substância desempenha papéis essenciais, como:

  • Manutenção da massa muscular e da força física
  • Regulação da densidade óssea
  • Influência sobre a libido e a função sexual
  • Papel no metabolismo e no controle da gordura corporal
  • Contribuição para o bem-estar emocional e funções cognitivas

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Com o passar dos anos, os níveis de testosterona tendem a diminuir, o que pode levar a uma série de sintomas.

Principais causas da testosterona baixa

Os níveis de testosterona tendem a diminuir com a idade, mas outros fatores podem acelerar essa queda. Entre as principais causas estão:

  • Envelhecimento – após os 30 anos, os níveis de testosterona começam a cair gradativamente.
  • Sedentarismo – a falta de atividade física reduz a produção hormonal.
  • Alimentação inadequada – dietas pobres em nutrientes essenciais afetam a síntese da testosterona.
  • Estresse crônico – eleva os níveis de cortisol, que inibe a produção do hormônio.
  • Doenças endócrinas – condições como hipogonadismo, obesidade e diabetes podem reduzir a testosterona.

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Agora que você já conhece as principais causas, veja os sintomas mais comuns da testosterona baixa.

Sintomas mais comuns em homens

A queda da testosterona pode gerar diversos sintomas que impactam a qualidade de vida.

1. Fadiga e cansaço constante

Homens com testosterona baixa relatam falta de energia, dificuldade para realizar atividades diárias e sensação de exaustão mesmo após o descanso.

2. Perda de massa muscular e aumento da gordura corporal

A testosterona é essencial para a síntese de proteínas musculares. Quando há deficiência, ocorre perda de massa muscular e um aumento na gordura, principalmente na região abdominal.

3. Diminuição da libido e disfunção erétil

O hormônio influencia diretamente o desejo sexual e a função erétil. Sua queda pode causar redução da libido, dificuldade de ereção e até infertilidade.

4. Alterações de humor, irritabilidade e depressão

A testosterona tem um papel importante na regulação do humor. Baixos níveis podem levar a sintomas como ansiedade, irritabilidade, tristeza e até depressão.

5. Queda de cabelo e alterações na pele

Esse hormônio também afeta a saúde dos cabelos e da pele. A deficiência pode resultar em queda capilar, ressecamento da pele e aumento da flacidez.

6. Dificuldade de concentração e memória

A testosterona está relacionada ao desempenho cognitivo. Sua deficiência pode causar esquecimentos frequentes, falta de foco e dificuldades em tomar decisões.

Se você apresenta algum desses sintomas, é essencial buscar um diagnóstico adequado.

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Como diagnosticar a testosterona baixa?

O diagnóstico da testosterona baixa exige uma abordagem criteriosa, que envolve a avaliação clínica dos sintomas e exames laboratoriais para confirmar a deficiência hormonal. A seguir, veja o passo a passo detalhado para identificar corretamente essa condição.

1. Avaliação clínica: identificando sinais e sintomas

O primeiro passo para diagnosticar a testosterona baixa é a análise dos sintomas. O médico, geralmente um endocrinologista ou urologista, fará perguntas detalhadas sobre:

  • Fadiga e cansaço excessivo
  • Diminuição da libido e disfunção erétil
  • Alterações no humor, como irritabilidade e depressão
  • Perda de massa muscular e aumento da gordura corporal
  • Dificuldade de concentração e problemas de memória
  • Queda de cabelo e alterações na pele

Além disso, o especialista pode investigar o histórico médico do paciente, como:

  • Uso de medicamentos que possam afetar os hormônios, como opioides e corticoides
  • Histórico de doenças endócrinas, como hipogonadismo, obesidade ou diabetes
  • Estilo de vida, incluindo hábitos alimentares, prática de exercícios e níveis de estresse

Se houver suspeita clínica de testosterona baixa, o próximo passo é a realização de exames laboratoriais.

2. Exames laboratoriais: confirmando o diagnóstico

Os exames de sangue são fundamentais para medir os níveis de testosterona no organismo. O teste mais comum é a dosagem de testosterona total e livre.

Exames essenciais para diagnosticar a testosterona baixa:

Testosterona total:

  • Mede a quantidade total do hormônio na corrente sanguínea.
  • Valores normais geralmente variam entre 300 e 1.000 ng/dL, dependendo do laboratório.
  • Considera-se testosterona baixa quando os níveis estão abaixo de 300 ng/dL.

Testosterona livre:

  • Mede a quantidade de testosterona disponível para ser utilizada pelo organismo.
  • Valores normais variam entre 4,5 e 21,5 pg/mL.
  • É um exame importante porque, em alguns casos, a testosterona total pode estar normal, mas a fração livre estar reduzida.

Quando fazer o exame?

  • O exame de testosterona deve ser realizado pela manhã, entre 7h e 10h, pois os níveis do hormônio são mais elevados nesse período.
  • É recomendável estar em jejum de 8 a 12 horas antes da coleta de sangue.

Caso os níveis estejam baixos, o médico pode solicitar exames complementares para entender a causa do problema.

3. Exames complementares: investigando as causas da deficiência

Se a testosterona estiver abaixo dos níveis normais, exames adicionais podem ser solicitados para identificar a origem do problema.

LH (hormônio luteinizante)

  • Avalia a função da hipófise, que regula a produção de testosterona pelos testículos.
  • Se o LH estiver baixo ou normal, pode indicar um problema na hipófise (hipogonadismo secundário).
  • Se o LH estiver alto, pode indicar uma falha nos testículos (hipogonadismo primário).

FSH (hormônio folículo-estimulante)

  • Indica a função dos testículos e sua capacidade de produzir espermatozoides.
  • Valores alterados podem indicar infertilidade associada à baixa testosterona.

SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais)

  • Mede a proteína que transporta a testosterona no sangue.
  • Se estiver elevada, pode reduzir a disponibilidade da testosterona livre.

Prolactina

  • Níveis elevados podem indicar problemas na hipófise, como tumores benignos que afetam a produção hormonal.

Cortisol

  • Avalia o impacto do estresse crônico na produção de testosterona.

Hemoglobina e hematócrito

  • Úteis para monitorar os efeitos da testosterona no sangue, especialmente antes de iniciar um tratamento de reposição hormonal.

Em casos de suspeita de problemas nos testículos ou hipófise, o médico pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética da hipófise ou ultrassom testicular.

4. Diagnóstico diferencial: outras condições que podem causar sintomas semelhantes

Nem sempre os sintomas são causados apenas pela testosterona baixa. O médico também pode investigar outras condições que podem ter sintomas parecidos, como:

  • Hipotireoidismo – causa fadiga, ganho de peso e alterações no humor.
  • Anemia – pode levar a cansaço extremo e fraqueza muscular.
  • Depressão – pode reduzir a libido, energia e alterar o humor.
  • Deficiência de vitaminas (D e B12) – pode gerar fadiga e dificuldades cognitivas.
  • Síndrome metabólica – associada à obesidade, resistência à insulina e desequilíbrios hormonais.

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Por isso, um diagnóstico preciso depende da avaliação completa feita por um profissional qualificado.

Opções de tratamento e hábitos para equilibrar os níveis de testosterona

1. Alimentação equilibrada e suplementação

A nutrição desempenha um papel crucial na produção de testosterona. Para manter níveis saudáveis do hormônio, é essencial:

  • Consumir gorduras saudáveis: azeite de oliva, abacate, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3 ajudam na síntese hormonal.
  • Aumentar a ingestão de zinco: encontrado em ostras, carnes vermelhas, sementes de abóbora e leguminosas, o zinco é essencial para a produção de testosterona.
  • Consumir magnésio: presente em espinafre, banana, amêndoas e chocolate amargo, melhora a disponibilidade do hormônio.
  • Manter níveis adequados de vitamina D: a deficiência dessa vitamina está associada à queda da testosterona. Suplementação pode ser indicada caso os níveis estejam baixos.
  • Evitar alimentos ultraprocessados e excesso de açúcar: podem aumentar a resistência à insulina e reduzir a produção hormonal.

Além da alimentação, suplementos naturais como tribulus terrestris, ashwagandha e feno-grego podem auxiliar no equilíbrio hormonal, mas devem ser utilizados com orientação médica.

2. Exercícios físicos e musculação

A prática regular de exercícios pode aumentar significativamente os níveis de testosterona. Os mais indicados são:

  • Musculação: exercícios de resistência, como levantamento de peso, aumentam naturalmente a produção de testosterona.
  • Treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT): sessões curtas e intensas de exercícios podem estimular a liberação do hormônio.
  • Evitar treinos excessivos: excesso de cardio pode aumentar o cortisol, que pode inibir a produção de testosterona.

3. Controle do estresse e sono de qualidade

O estresse crônico e a privação de sono estão diretamente ligados à queda da testosterona devido ao aumento dos níveis de cortisol.

  • Gerenciar o estresse: meditação, yoga e técnicas de respiração podem ajudar a reduzir os níveis de cortisol.
  • Dormir bem: a maior parte da testosterona é produzida durante o sono profundo. O ideal é dormir entre 7 a 9 horas por noite.
  • Evitar telas antes de dormir: a luz azul inibe a produção de melatonina, prejudicando a qualidade do sono.

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4. Redução do consumo de álcool e tabaco

O álcool em excesso pode afetar negativamente a produção de testosterona, além de aumentar os níveis de estrogênio. O tabagismo também compromete a função testicular e reduz os níveis do hormônio.

Para quem deseja otimizar os níveis de testosterona, reduzir ou eliminar o consumo dessas substâncias pode trazer benefícios significativos.

5. Controle do peso e redução da gordura corporal

O excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, pode aumentar a conversão da testosterona em estrogênio por meio da ação da enzima aromatase.

  • Manter um peso saudável pode ajudar a reverter essa conversão e melhorar naturalmente os níveis hormonais.

6. Terapia de reposição hormonal (TRH) 

Em casos de hipogonadismo confirmado, quando a testosterona está muito baixa e os sintomas impactam a qualidade de vida, o médico pode recomendar a reposição hormonal.

As principais formas de reposição são:

  • Injeções intramusculares (ação rápida e eficaz)
  • Gel ou adesivo transdérmico (absorção gradual pelo corpo)
  • Cápsulas orais (comuns, pois podem afetar o fígado)

A TRH deve ser feita somente com acompanhamento médico, pois pode ter efeitos colaterais como aumento da produção de glóbulos vermelhos e risco de problemas cardiovasculares.

Considerações finais

O diagnóstico da testosterona baixa envolve avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais para confirmar a deficiência hormonal e identificar suas causas. Caso os níveis estejam reduzidos, o médico pode recomendar mudanças no estilo de vida ou, em casos mais graves, a terapia de reposição hormonal.

Se você apresenta sintomas como fadiga extrema, queda de libido, perda de massa muscular e dificuldade de concentração, procure um especialista para investigar a causa e iniciar um tratamento adequado. Agende uma consulta pelo meu site!



Dra. Deborah Beranger
Endocrinologista – Atendimento especializado – Endocrinologista na Barra da Tijuca, RJ